Homens Que Cuidam https://homensquecuidam.com.br/ Meu Site WordPress Wed, 18 Jun 2025 19:24:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://homensquecuidam.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Sem-nome-512-x-512-px-150x150.png Homens Que Cuidam https://homensquecuidam.com.br/ 32 32 Da Sociedade do Cansaço para uma Sociedade do Cuidado https://homensquecuidam.com.br/educacao-cultural-e-paterna-uma-nova-perspectiva/ https://homensquecuidam.com.br/educacao-cultural-e-paterna-uma-nova-perspectiva/#respond Wed, 11 Jun 2025 02:09:11 +0000 https://homensquecuidam.com.br/educacao-cultural-e-paterna-uma-nova-perspectiva/ Que segmento da nossa sociedade você acha que movimenta 580 bilhões de reais por ano, cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil? Tecnologia? Agro? Industria? Errou! Esse […]

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Que segmento da nossa sociedade você acha que movimenta 580 bilhões de reais por ano, cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil? Tecnologia? Agro? Industria? Errou! Esse é o valor estimado para o trabalho de cuidado com pessoas e tarefas domésticas no país, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Estas mesmas mulheres e meninas ao redor do mundo contribuem com pelo menos US$ 10,8 trilhões à economia global. Esse valor equivale a mais de três vezes o valor da indústria de tecnologia do mundo (Fonte: Oxfam: Tempo de Cuidar).

A chamada “economia do cuidado” é o trabalho invisibilizado e não remunerado realizado majoritariamente por mulheres e meninas diariamente. Esta atividade envolve desde tarefas para manutenção do lar até o cuidado (funcional e afetivo) com crianças, idosos, pessoas doentes, com algum tipo de deficiência – e até mesmo outros membros da casa, como os maridos! “É um trabalho que tem uma forte dimensão emocional, se desenvolve na intimidade, e com frequência envolve a manipulação do corpo do outro”, diz a socióloga Nadya Araujo Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP.

Quando os homens “pagam as contas” com dinheiro fruto de seus respectivos trabalhos produtivos (reconhecidos pela sociedade), as mulheres estão pagando com tempo, disponibilidade, abrindo mão muitas vezes das suas carreiras, sonhos, desejos e autonomia. Por outro lado, as lutas e conquistas das mulheres vem aumentando a sua participação do mercado de trabalho. Em cinco décadas, essa participação saltou de 18% para 50%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, a professora Nadya destaca o seguinte:

“Consideradas provedoras naturais dos serviços de cuidado, as mulheres passaram a trabalhar mais intensamente fora de casa. Esse fato, aliado ao envelhecimento da população, gerou o que tem sido analisado como uma crise no provimento de cuidados que, em países do hemisfério Norte, tem se resolvido com uma mercantilização desses serviços, além de uma maior atuação do Estado, por meio da criação de instituições públicas de acolhimento, expansão de políticas de financiamento, formação e regulação do trabalho de cuidadores”.

 

Ou seja, enquanto o cuidado for “obrigação” apenas das mulheres, não alcançaremos a equidade e a justiça no mundo do trabalho! Ou seja, como diz a filosofa e intelectual italiana, Silvia Federici ao se referir as tarefas do cuidado: “Isso que chamam de amor é trabalho não pago”. Esse apontamento encontra apoio nos estudos de uma outra socióloga, Heidi Gottfried, da Universidade Estadual Wayne, nos Estados Unidos, ao explicar que persiste na sociedade a noção arraigada de que o trabalho de cuidado seria uma “manifestação de amor” e, por essa razão, deveria ser prestado gratuitamente. Conforme Gottfried, a ideia decorre, entre outros aspectos, da construção cultural a respeito da maternidade e de que cuidar seria um talento feminino. Tudo muito conveniente para a manutenção do patriarcado e do machismo nosso de cada dia, não é mesmo?!

Pois bem. Nós precisamos colocar urgentemente os homens nessa discussão. Mais do que isso, precisamos assumir um papel de “homens incomuns”, como diz a psicanalista Vera Iaconelli, e nos posicionarmos diante desse cenário, posto que no dia a dia os dados de violência contra as mulheres, bem como da quantidade de “mães solo” revela uma triste realidade que escancara o quanto esse homem abusar e irresponsável é um homem comum. Ou seja, está bem mais perto de todos nós que as páginas policiais querem nos fazer acreditar, ao pintar esse indivíduo como “monstruoso”, “sujo” e “cruel” que surge num beco escuro. Portanto, o contrário daquele homem gentil, cortes e por vezes amável, com o qual nos relacionamos em nossas famílias, trabalho, etc.

E para a difícil e urgente tarefa de fazer emergir fileiras e mais fileiras de “homens incomuns”, que proponho que os rapazes que aqui me seguem se desafiem a acompanhar e participar de alguns movimentos que podem inspirá-los a oferecer uma contribuição mais efetiva no sentido de construirmos uma “sociedade do cuidado”, como ouvi surgir nas discussões de um evento que participei poucos dias atrás, em detrimento da “sociedade do cansaço”, apontada pelo filósofo sul-coreano- alemão, Byung Chul Han:

– Procure conhecer e fazer parte da Coalização Pela Licença Paternidade – CoPai;

– Procure textos e vídeos nas redes sociais que falem sobre a recém aprovada Política Nacional do Cuidado (Lei 15.069/2024);

– Se você é de São Paulo, procure saber sobre a recém-criada Frente Conjunta da Política de Cuidado, encampada por duas parlamentares do Estado;

– Faça parte da Comunidade Homens Que Cuidam, idealizada por esse que vos escreve e receba conteúdos de todas as novidades das iniciativas acima, bem como, tenha acesso a letramentos e conteúdos via redes socias, além de outras iniciativas para fomentar essa discussão.

(Prometo atualizar esse texto com outras iniciativas que estão pintando).

Enfim, te convido a fazer parte desse movimento por uma sociedade mais justa, afetuosa e saúdavel para todas as pessoas!

Abraços Inclusivos!
Lincoln Tavares

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Gostaria muito de compartilhar neste texto as experiências exitosas que tive a oportunidade de vivenciar em três oportunidades durante essa semana. Estive com os clientes UNICRED – Porto Alegre e a Irani S/A, ambas do Sul do país, onde promovi webinars sobre Parentalidade e seus desdobramentos relacionadas às paternidades e masculinidades. E a outra atividade também nessa semana, com as queridas parceiras Luciana Cattony e Susana Zaman, da Maternidade nas Empresas, que gentilmente me convidaram para uma live sobre o lançamento do seu e-book “Maternidade e carreira: combatendo os ruídos”, onde apresentam o que elas chamam de vieses da maternidade, manifestados por meio dos preconceitos e estereótipos sofridos pelas mulheres que exercem suas maternidades e carreiras.

No entanto, infelizmente é impossível celebrar essas iniciativas tão bacanas e necessárias sem comentar o triste caso do Desembargador Elci Simões, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) que, de maneira insensível e desrespeitosa assediou (no meu entendimento) moralmente a advogada Malu Borges Nunes, que participava – via videoconferência – de uma sessão plenária do referido tribunal, repreendendo-a por conta do choro de sua bebê, que estava em seu colo.

É inacreditável a falta de empatia e de alteridade desse senhor, que chegou a chamar o choro da bebê de “interferências outras na sala”, além de afirmar que era “uma sessão do tribunal e não pode ter cachorro latindo e criança chorando”. Para mim, o pior foram as a manifestações misóginas e desrespeitosas ao dizer: “se a senhora tiver alguma criança, coloque num ‘local adequado’” e “são barulhos que nos atrapalham, tiram a concentração. Eu acho que é preciso ver a ‘ética da advogada’”.

É inacreditável o que esse senhor entende como “ética”, já que a advogada está em sua própria casa, logo, o que seria um “local adequado”??? O julgamento e a opressão sofrida por essa mãe deixa bem clara a diferença de tratamento entre homens e mulheres no exercício da parentalidade, pois vale lembrar que, curiosamente, nesta mesma semana viralizou o caso de um pai, também advogado, que levou o seu bebê para uma sessão no Plenário da 2ª Turma do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Trata-se do advogado Felipe Cavallazzi, que foi amplamente “elogiado” pela “fofura” de estar com o seu filho no tribunal, chegando a receber “biscoito” do próprio magistrado que presidia a sessão, o Ministro Mauro Campbell.

O magistrado chegou a antecipar o julgamento, invocando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), afirmando que a Turma estava “sendo honrada pela presença do Lorenzo (filho do advogado), [que está] muito bem comportado, que já se agasalhou por causa do frio”. Que diferença, não? Obvio que são situações diferentes, em momentos diferentes, com pessoas diferentes. Mas é inegável o “impulso masculino” de exercitar a “brotheragem” com outros homens (e receber apoio de todos os lados por isso). Me lembrei também do caso do jornalista e correspondente da BandNews no Reino Unido, Felipe Kieling, que entrou num link ao vivo com o seu filho no colo e causou suspiros e uma sucessão de “biscoitagens”.

Será que essa tal ética e evocação do ECA só vale para enaltecer os homens e promover o julgamento das mulheres? Enquanto o advogado (e pai do ano!), Felipe Cavallazzi, agradeceu o ministro Mauro Campbell, dizendo que “mais uma vez, o STJ se prova como o tribunal da cidadania”. A advogada Malu Borges (a mãe descuidada e antiética, segundo o Desembargador), desabafou que: “Eu me senti primeiro ofendida como mulher, como mãe, como advogada também. Fiquei muito mal, chorei bastante depois. Eu me viro nos 30 para dar conta de bebê, casa, trabalho”.

Embora tenha começado lamentando o fato de não somente escrever esse texto compartilhando os encontros frutíferos que tive essa semana para dialogar sobre os caminhos do exercício da parentalidade, bem como, o letramento sobre os o “combate aos ruídos” direcionados às mulheres ensinado no e-book das poderosas do “Maternidade nas Empresas”, ressalto o quanto são importantes iniciativas como essas para problematizarmos tais acontecimentos relatados aqui para avançarmos na pauta da equidade de gênero e do combate das desigualdades, sobretudo no ambiente corporativo – em especial, neste caso, no universo do judiciário.

Texto publicado em 25.08/2022.

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A inquietação nos move, não é mesmo? Pelo menos deveria. Pois se não nos move, nos adoece. E eu não quero adoecer. Aliás, é oportuno falar em adoecimento e saúde mental nesse mês de setembro, não é mesmo? Afinal de contas, estamos todos no mesmo barco, certo? Errado! No máximo estamos compartilhando as mesmas tempestades. Uns, a bordo de um iate, outros (principalmente outras) num barquinho à vela. Uns contando com um experiente timoneiro, com modernos equipamentos de segurança, outros tendo que remar, se equilibrar e ainda cuidar das crianças da embarcação.

E essa minha inquietação tem dois motivos primordiais (e um outro que tem relação com o título deste artigo e falarei no final): o último relatório do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e o Relatório “Esgotadas”, produzida pelo extraordinário Laboratório da Think Olga de Exercícios de Futuro. Gravei um vídeo no meu Instagram (@homensquecuidam_) para falar de alguns números do anuário, mas acredito que há ainda muita coisa pra se falar e reverberar. Principalmente quando num dos subtítulos do documento lemos: “A explosão da violência sexual no Brasil”.

Os dados divulgados revelam um cenário devastador: o maior número de registros de estupro e estupro de vulnerável da história do nosso país, com 74.930 vítimas. Destes, 24,2% eram homens e mulheres com mais de 14 anos e 75,8% eram incapazes de consentir, fosse pela idade (menores de 14 anos), ou por qualquer outro motivo (deficiência, enfermidade etc.). O anuário registra o crescimento de todas as formas de violência contra a mulher em 2022.

O que os números revelam não é nada animador: os feminicídios cresceram 6,1% em 2022, resultando em 1.437 mulheres mortas simplesmente por serem mulheres. Além disso, registros de assédio sexual cresceram 49,7% e totalizaram 6.114 casos em 2022 e importunação sexual teve crescimento de 37%, chegando ao patamar de 27.530 casos no último ano. Obviamente estes números são aqueles notificados, o que não torna difícil a conclusão de que há muitos e muitos casos não notificados que fariam este relatório ser multiplicado por uma quantidade impublicável de vezes.

E quando o assunto é a carga mental, cabe compartilhar a definição que consta no trabalho feito pela Think Olga: “A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde mental como um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de utilizar suas habilidades cognitivas e emocionais, lidar com as demandas e o estresse cotidianos e contribuir para a sua comunidade. A saúde mental é um componente integral da saúde e qualidade de vida das pessoas, e engloba o bem-estar emocional, psicológico e social.”

E os reflexos dessa ausência da saúde mental impactam de maneira insuportável as mulheres. Pois, segundo o relatório, antes mesmo da pandemia da COVID-19: 67% das mulheres apresentavam transtornos de ansiedade e transtornos depressivos, contra 33% dos homens. Números que se inverteram quando se observam os números dos transtornos relacionados ao uso de álcool, sendo de 76% a incidência sobre os homens e 24% sobre as mulheres.

E para entendermos como está a saúde mental das brasileiras hoje, a Think Olga entrevistou 1.078 mulheres com mais de 18 anos de todas as classes e de todas as regiões do país. As entrevistas foram realizadas online entre os dias 12 e 26 de maio de 2023 e a margem de erro é de 3 pontos percentuais e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa traz uma riqueza de recortes por classe social, renda familiar, faixa etária, raça/etnia, número de filhos, entre outros, onde são abordados temas como os sentimentos frequentes do dia a dia, índices de insatisfação em relação a diversas áreas da vida (os índices de satisfação máxima não ultrapassam os 30%), acesso à educação, habitação, alimentação, renda digna, emprego, transporte, cultura, entre outros.

Mas não se engane. Pois todas estas constatações (e muitas outras) apresentadas no relatório “Esgotadas” têm impacto (nocivo) direto na vida de todos nós: homens, mulheres, crianças, etc. Contudo, não haverá saída para esse impasse e doença social enquanto nós homens não nos implicarmos diretamente nesse diálogo! E para respaldar o que afirmei aqui, recorro a uma das minhas intelectuais favoritas, a maravilhosa bell hooks, diz o seguinte em seu livro The Will to Change: Men, Masculinity, and Love. New York: Washington Square Press, 2004:

“O patriarcado é a doença social que mais eminentemente põe em risco a vida, agride o corpo e o espírito masculino em nossa nação. No entanto, a maioria dos homens não usa a palavra "patriarcado" na vida cotidiana. A maioria deles nunca pensa em patriarcado - o que significa, como foi criado e sustentado. Muitos homens em nossa nação não sabem soletrar a palavra ou pronunciá-la corretamente. A palavra "patriarcado" simplesmente não faz parte do pensamento ou do discurso cotidiano. Homens que ouviram e conhecem a palavra, geralmente a associam à libertação das mulheres, ao feminismo, e acabam descartando-a como irrelevante para suas próprias experiências”.

Percebamos que é exatamente aí que mora o problema! Achar que as pautas sobre o patriarcado, machismo, sexismo, misoginia, equidade de gênero, economia do cuidado e saúde mental “assustam os homens” e devem ser revestidas com tintas mais discretas e ter até as nomenclaturas “camufladas” é, na minha opinião, um grande equívoco. Afinal de contas, como sempre ouvimos dos movimentos feministas: Nem todo homem, mas sempre um homem!

Ademais, enquanto pensarmos assim, não relacionaremos o quanto dados como o número de mães solo no Brasil (aquelas que cuidam sozinhas de seus filhos), que aumentou 17% na última década, passando de 9,6 milhões em 2012 para mais de 11 milhões em 2022 são forças contrárias à luta por equidade oportunidades no mercado de trabalho, por exemplo, pois a probabilidade de uma mulher sem filhos ter estudado até o ensino superior é 112% maior do que na fatia de mães de crianças pequenas.

Neste sentido, está na hora de questionarmos o que eu chamo de “efeito cinto de segurança do patriarcado” quando refletimos sobre a participação (e corresponsabilidade) de nós homens nestes temas relacionados à saúde mental e à economia do cuidado (trabalho invisível e não remunerado) que tanto afetam as mulheres. Explico. Você sabia que o cinto de segurança foi inventado há 120 anos (em 1903), por um francês chamado Gustave Desiré Liebau, mas somente cerca de 50 anos depois começou a ser fabricado junto com os veículos? E mais. Sabia que aqui no Brasil ele (o cinto) só se tornou obrigatório por meio da Lei 9.503 de 1997?

Pois é. Hoje ninguém mais questiona se deve usar ou não o tal do cinto de segurança, não é mesmo? Até porque, abundam pesquisas e campanhas de conscientização sobre a sua eficácia e importância. Neste sentido, eu te pergunto: quanto tempo mais teremos que “chegar com jeitinho” e contemporizar com os homens, sobretudo os líderes das empresas - mas não só eles - sobre os dados compartilhados aqui?

Ouço constantemente, sobretudo de muitas mulheres, que: “Ah, Lincoln, mas se você falar dessa maneira vai afastar os homens dessas pautas”. Olha, gente, se continuarmos pensando assim, e aqui não quero invalidar a importância do conceito de “criar pontes” e até mesmo de ferramentas como a da CNV (Comunicação Não-Violenta), nada mudará e não chegaremos a lugar nenhum!

E para finalizar, mais uma vez cito as reflexões da incomparável bell hooks em seu livro “O feminismo é para todo mundo – práticas arrebatadoras”, que nos coloca para refletir sobre o que precede o patriarcado (e o próprio machismo), que nada mais é do que o sexismo. Ou seja, a ideia de “papéis de gênero”:

“(...) Muitas vezes, no início do feminismo contemporâneo, formaram-se grupos de homens sem abordar, de maneira alguma, questões relacionadas a sexismo e dominação masculina. Assim, como o feminismo baseado em estilo de vida era focado em mulheres, esses grupos com frequência se tornavam ambiente de terapia para homens lidarem com suas feridas, sem haver crítica ao patriarcado ou plataforma de resistência à dominação masculina. (...) Um homem despojado de privilégios masculinos, que aderiu às políticas feministas, é um companheiro valioso de luta, e de maneira alguma é ameaça ao feminismo; enquanto uma mulher que se mantem apegada ao pensamento e comportamento sexistas, infiltrando o movimento feminista, é uma perigosa ameaça”.

Avancemos!

Abraços Inclusivos!

Lincoln Tavares

Signatário do Movimento de Solidariedade pela Igualdade de Gênero – He For She – da ONU Mulheres, membro do Coletivo Paternando, do Fórum Paulistano de Masculinidades, da Rede Brasileira de Masculinidades e colaborador do Grupo Mulheres do Brasil – Barueri/SP. Membro da ONG BSGI (Brasil Soka Gakkai Internacional), uma instituição filiada à ONU que atua pela paz, cultura e educação.

Texto Públicado em 06/09/2023.

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Paternidade, trabalho e as bolsas pelo caminho https://homensquecuidam.com.br/historias-inspiradoras-de-homens-que-cuidam/ https://homensquecuidam.com.br/historias-inspiradoras-de-homens-que-cuidam/#respond Wed, 11 Jun 2025 02:08:23 +0000 https://homensquecuidam.com.br/historias-inspiradoras-de-homens-que-cuidam/ Contei aqui no último artigo os bastidores de um dia de trabalho e os desafios que eu e a minha companheira Charlene enfrentamos para bancar a parentalidade que acreditamos. Escolhas […]

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Contei aqui no último artigo os bastidores de um dia de trabalho e os desafios que eu e a minha companheira Charlene enfrentamos para bancar a parentalidade que acreditamos. Escolhas – que se impõe ou podem ser feitas por quem tem esse privilégio. E nesse sentido, quero compartilhar agora o quanto tenho experenciado a parentalidade e o trabalho com uma espécie de “colinha” entre elas: a culpa que, embora seja uma praga, também tem muito amor envolvido.

A inspiração para contar essa história surgiu quando assisti um programa da TV Cultura que gosto muito, o Provoca, apresentado pelo jornalista Marcelo Tas, e que no último dia 7 de junho contou com uma convidada pra lá de especial: a psicanalista Vera Iaconelli, da qual eu sou fã e acompanho o trabalho há tempos. Inclusive, li recentemente um dos seus livros como coautora, a obra “Parentalidade” (tema que ela é uma referência), da coleção Parentalidade & Psicanálise.

Iaconelli também tem iniciativas valorosas, como a criação do Instituto Gerar de Psicanálise que, entre outros vários empreendimentos extraordinários, promove pesquisas e populariza o acesso ao acompanhamento psicanalítico (popularmente chamado de “terapia”, que aliás, minha esposa faz acompanhamento há alguns anos).

Vera citou o filósofo francês Michel Foucault para trazer uma forma curiosa com a qual o intelectual explicava a questão das escolhas que, conforme explica, significavam perdas inevitáveis. Afinal de contas, não é possível termos tudo, não é mesmo? Vera explicou que o pensador usava a imagem do ladrão, que ao nos assaltar diz: “a bolsa ou a vida?”. Iaconelli observa que se a pessoa escolher a bolsa ela perde os dois. Ou seja, é preciso deixar várias bolsas pelo caminho se quisermos seguir em frente.

Pois bem. Embora tenha relatado o quanto fiquei emocionado e feliz com a ligação afetuosa que temos em nossa família – e o quanto nós estamos sempre buscando melhorar – nem por isso os desafios e as frustrações deixam de ser constantes. Há pouco mais de uma semana notamos que o comportamento da Madí estava um pouco alterado, demonstrando irritação, impaciência e uma certa agressividade. Conversamos bastante, eu e a minha esposa, e entendemos que precisávamos investigar com a nossa pequena o que estava acontecendo, a fim de interpretar o porquê de tais comportamentos.

A advogada e escritora Ruth Manus (mais uma dica, pois sou fã!) fala do quanto esse sentimento (da culpa) persegue as mulheres: “É como se ela estivesse pendurada numa correntinha o redor do pescoço. Um pingente de culpa que a gente nunca tira”. A culpa também habita em nós homens, talvez com uma nuance muito peculiar, que é a dificuldade de reconhecê-la e até mesmo nomeá-la. E pior de tudo, a negação, que vem associada ao não reconhecimento da nossa imaturidade – reflexo de uma sociedade que, entre outros fatores, não permite que demonstremos os nossos sentimentos, que são muitas vezes associados à fraqueza e a fragilidade – características das quais nós fugimos tanto!

Como disse, nos últimos tempos tenho “escolhido a vida”, o que significa a expansão da minha consciência quanto ao compartilhamento dos cuidados com a nossa filha e o trabalho doméstico. Mas olha como não é tão simples assim, pois isso não significa que vejo o meu trabalho como educador / consultor de diversidade, equidade e Inclusão como a representação da “da bolsa”, segundo Foucault. Até porque, trabalho também pode representar afeto, cuidado, que para muitos, muitos homens não é apenas “uma escolha”, mas algo que se impõe.

Lembra quando disse que a Madi estava com um comportamento diferente? Pois é. Percebemos juntos que a Madi estava passando muito tempo no celular e no computador antes de ir para a escola. Ela entra às 13h30, e temos toda uma rotina no período da manhã que se adapta às minhas reuniões de trabalho, atendimento de clientes, afazeres da casa etc. Opa! Olha aí o problema! A atenção e o afeto dedicados à nossa filha neste caso estavam no “etc”. Pelo menos foi essa a minha leitura, considerando os meus privilégios.

Ou seja, como disse anteriormente, cuidar da casa, dos filhos, trabalhar (fora ou dentro de casa) são todas demonstrações de afeto e de cuidado. Mas para mim, rolou um sentimento pesado de culpa por imaginar que a nossa filha estava passando mais tempo nas telas do que comigo.

E o que vou contar aqui me deixa bem envergonhado, mas seguirei os conselhos da escritora Brené Brown em seu livro “A coragem de ser imperfeito”, e vou me vulnerabilizar compartilhando algo bem pessoal, com o intuito de contribuir com a jornada de outros pais. Madi, que tem menos de 7 anos de idade, usou o meu celular para fazer várias compras num determinado aplicativo. E o mais impressionante: mudou a minha senha de acesso e tudo!

Descobri e cancelei as compras a tempo, pois recebi um aviso no meu e-mail. Aliás, quase ao mesmo tempo em que a minha sogra, que mora no mesmo prédio que a gente, nos contou que a havia recebido um pedido de “segredo” da neta, pois tinha feito algo muito errado. Nesse dia fiquei muito, muito mal. Muito triste. Quase não dormi a noite e a culpa inundou o meu coração. O que estou fazendo de errado? Conversamos muito qual seria a melhor maneira de abordar o assunto com a Madi, e confesso que também senti muita raiva.

Processamos todos os nossos sentimentos e entendemos que castigá-la não seria inteligente da nossa parte, pois li certa vez que esse tipo de atitude só reforça o instinto das crianças de fazer as coisas da forma que eles querem. Além disso, já não acreditávamos antes que “castigar” combinasse com a maneira mais adequada de educar uma pessoa. Não funcionou muito bem na minha infância (a terapia me mostrou!). Acreditamos que o caminho é o diálogo e o acolhimento.

Isso não quer dizer que não devemos colocar limites e estabelecer regras. Combinamos de buscá-la juntos na escola. Paramos num café, tomamos um lanche bem gostoso e dialogamos sinceramente. Falamos sobre as consequências do que ela havia feito. E da gravidade também. Eu disse o quanto fiquei triste, e até mesmo decepcionado. Mas não deixei de apontar que não estávamos aproveitando muito bem o nosso tempo (e que isso era de minha absoluta responsabilidade). Daí, repensamos a rotina e estabelecemos novos combinados.

Nada de celular por enquanto (antes o combinado era de uma hora pela manhã e uma hora uma a noite). E para isso, eu me comprometi a ficar mais pertinho dela, o que significa deixar que use o computador, mas na sala, onde eu possa ver (e não no escritório, como antes), além de levá-la no parquinho do prédio pelo menos 30 minutos (ou brincando dentro de casa mesmo) antes da escola. Não é nada fácil, mas estamos conseguindo. Madi tem se mostrado mais tranquila e ainda mais carinhosa.

Quanto à culpa relacionada a falta de atenção dada a nossa filhota, temos trabalhado isso juntos, e juntos temos seguido em frente! Aliás, como de costume, sempre mostro os meus textos para a Charlene e peço que corrija, opine e aponte o que lhe incomoda. Faço cara feia, me incomodo e contra-argumento, mas não público sem essa troca.

Sigamos!

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Bastidores de um dia de trabalho e parentalidade https://homensquecuidam.com.br/desmistificando-a-economia-do-cuidado/ https://homensquecuidam.com.br/desmistificando-a-economia-do-cuidado/#respond Wed, 11 Jun 2025 02:07:53 +0000 https://homensquecuidam.com.br/desmistificando-a-economia-do-cuidado/ Fui convidado para palestrar pelo segundo ano consecutivo no evento “Encontro com a Diversidade”, promovido pelas empresas Irani e Habitasul. E para a minha alegria, a proposta era de que […]

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Fui convidado para palestrar pelo segundo ano consecutivo no evento “Encontro com a Diversidade”, promovido pelas empresas Irani e Habitasul. E para a minha alegria, a proposta era de que eu falasse sobre Diversidade Organizacional da perspectiva das masculinidades.

O evento foi maravilhoso, de altíssimo nível, e contou com a participação ativa do seu Diretor Presidente, Sérgio Ribas, bem como, com a organização das queridíssimas Bianca Salatino e Claudia Vergara. Além disso, a minha parceira de negócios e querida amiga, Daniela Medeiros - que fez a mediação do encontro com maestria - e contou também com as potentes palestras das poderosas Amanda Padilha e Professora Lourdes Alves.

Bem, eu não pretendo falar do evento em si. Aliás, ele foi transmitido via Youtube e contou também com cerca de 130 participantes da companhia que acompanharam a iniciativa espontaneamente. Mas, quero contar um fundo de cena que muito tem a ver com o tema que abordei e venho discorrendo aqui nessa newsletter e é algo que procuro exercitar como práxis o máximo possível: o meu papel como papai da Maria Lídia, nossa filha de seis anos e a parentalidade compartilhada com a minha companheira, Charlene S.T. de Melo e a minha atuação como educador e mentor de Diversidade, Equidade e Inclusão.

Meus clientes e parceiros já estão acostumadas com as “intervenções fofas” da Madí (apelido da nossa filha), que vira e mexe aparece nas transmissões via Zoom ou outras plataformas que têm sido minhas fiéis ferramentas online nos últimos dois anos (já que boa parte do meu trabalho é conduzido de casa). E o mais bacana é que eu também conheço muitos dos filhos, e até mesmo outros integrantes da família (inclusive, cachorros e gatos) destes mesmos clientes e parceiros.

Minha esposa é dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), e tem um horário fixo de trabalho. Daí, toda a dinâmica da nossa casa é ajustada para estas duas realidades: o deslocamento para trabalho da minha esposa e o meu em regime home-office. Mas não posso deixar de compartilhar as atividades da Madí: escola, natação, judô, etc. Pois bem, neste dia do evento, como de costume, nos organizamos para tocar as rotinas da casa da melhor forma possível, o que inclui tomar banho, preparar o nosso café (e ajudar a Madí a se servir), levar a Amora (nossa cachorra) na rua, etc, etc.

Acontece que no dia anterior, à noite, a Madí comentou em tom de tristeza que estava sentindo saudades da mamãe e que gostaria de passar mais tempo com ela. Obviamente minha esposa ficou mexida com o desabafo e procurou, como sempre fazemos, dialogar de maneira aberta e transparente com a nossa pequena. Mas, é mesmo um desafio conciliar a atenção e o afeto com a família, as tarefas domésticas e as atividades profissionais. Não teve jeito, ambas foram dormir um pouco chateadas.

E como disse, como boa parte do meu trabalho é feito de casa, tenho os meus combinados com a nossa filha, que incluem aquela corridinha no intervalo de uma palestra, workshop ou mentoria para saber como ela está, dar um beijinho e um abraço e checar se ela precisa de mais alguma coisa. Aliás, um outro combinado é deixar que ela entre no escritório e venha falar comigo caso precise de algo. E o jeito que ela faz isso é muito bonitinho. Ela entre devagarinho sem bater na porta, se posiciona no meu campo de visão e fica esperando que eu olhe para ela. Daí ela pergunta balbuciando: posso falar papai?

Como de costume, como podem ver na foto a acima, ela veio me perguntar se eu iria demorar muito. Estou acostumado e procuro deixá-la o mais à vontade possível. As vezes ela quer dar um “oizinho”, outras vezes não. Mas o que mais me chamou a atenção neste dia aconteceu depois que o evento acabou. Ou melhor, antes um pouco, na hora do intervalo, fui tomar um cafezinho e checar como ela estava e vi uma carta no braço do sofá. Era da minha esposa para a Madí. Nela ela dizia o quanto amava a nossa filha e que voltaria o mais rápido possível do trabalho para ficar com ela. Dizia também que havia deixado “o leitinho e ovinho na mesa, prontos, para você não se preocupar em chamar o papai”.

O melhor e tudo, além do afeto, do cuidado e do amor que permeia toda essa relação familiar que cultivamos, a Madí me disse quando o evento acabou: “Papai, quando li a carta da mamãe eu fiquei muito emocionada e meus olhos encheram de água!”

O que dizer? Chorei também!

Abraços Inclusivos!
Lincoln Tavares

Texto publicado em 26/05/2022.

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Muitas empresas ainda são fiéis em promover a manutenção do que eu chamarei de “Líder Dom Quixote”, figura inspirada no personagem do grande escritor espanhol Miguel de Cervantes e considerado o primeiro romance moderno. Quem nunca ouviu ou repetiu, ao presenciar alguém muito idealista, impositivo, sonhador ou até mesmo “viajandão” que essa pessoa tem um comportamento quixotesco? Pois é. Essa expressão também carrega muito do machismo e do patriarcado arraigado em nossa sociedade.

Dom Quixote, ou “Fidalgo de la Mancha”, considerava-se um cavaleiro destemido que percorria o mundo lutando com gigantes e feras mitológicas. Inebriado pelas inúmeras histórias que leu, já não conseguia mais distinguir o que era fantasia do que era realidade. Ou então, para usar uma linguagem mais acadêmica, não sabia distinguir a realidade subjetiva (interna) da realidade objetiva (externa). Seu fiel escudeiro, Sancho Pança tenta alertá-lo sobre seus delírios, mas, sem sucesso, desiste (ainda assim permanece a seu lado).

É com essa visão, emprestada da analogia feita pelo brilhante escritor e PhD, Jordan Shapiro em seu livro “Como ser um pai feminista”, que chegamos ao Líder Dom Quixote. Ou, como o próprio autor diz: “É a descrição perfeita da autoridade patriarcal narcisista”. Sim! O líder Dom Quixote é aquele cara apaixonado pelas próprias ideias e que faz todo mundo segui-lo. É extremamente narcisista, tóxico e patriarcal. Na hierarquia social, a palavra dele é a última. Ele é a autoridade. Neste sentido, tudo que não se assemelha com o patriarca é lido como inferior. E quais são as outras características dessa figura? Ele é homem, branco, heterossexual, cisgênero e não tem nenhum tipo de deficiência.

Alguma semelhança com a maioria maciça das lideranças nas empresas? Sim! Segundo estudo realizado pela consultoria Grant Thornton, mulheres ocupam apenas 39% das posições de liderança nas empresas. O levantamento foi realizado com 250 empresas e apontou também que o Brasil está atrás de África do Sul (42%), Turquia e Malásia (40%) e Filipinas (39%), mas tem um resultado melhor do que a média da América Latina (35%), por exemplo. Mas se não pudesse ficar pior, 6% das empresas afirmaram não manter mulheres em cargos de liderança.

Voltando ao Líder Dom Quixote, como vimos acima, tenho três bons exemplos que ilustram essa autoridade patriarcal narcisista da qual se refere Shapiro: Steve Jobs, Walt Disney e Elon Musk. Celebrados e exaltados por muitos, esse tipo de figura é aquele que, tal qual Dom Quixote, idealiza um tipo de propósito visionário e faz com que todos ao seu redor o sigam. São arrogantes, mas não admitem. São dogmáticos e não aceitam nada que fuja do seu controle. Manipulam, mas ao mesmo tempo colocam-se como pessoas compreensíveis e familiares, como pais e irmãos mais velhos.

O problema é que, aos olhos deste líder, todas e todos são Sansho Pança. Devem segui-lo e comprar a ideia do seu propósito. O Líder Dom Quixote oscila entre a figura generosa e explosiva. Isso me lembra uma outra obra, “Inclusifique – Como a inclusão e a diversidade podem trazer mais inovação à sua empresa”, da escritora e best-seller Stefanie K. Johnson, que fala da imagem do “Cavaleiro Branco”, que também nos diz muito sobre o Líder Dom Quixote:

“Comportamentos que associamos a cavalheirismo e que o homem aprende desde cedo – coisas como abrir a porta para a mulher, carregar sua bolsa e tratá-la de um modo diferente do homem (e melhor até) – em geral são transmitidos às crianças pelos pais. Se você vê sentido nesses ideais e os leva para o trabalho, o efeito pode ser convertê-lo em um Cavaleiro Branco (...)”.

“(...) A loucura do Cavaleiro Branco não está em apoiar mulheres, pessoas não brancas, mulheres não brancas ou LGBTQ: todo inclusificador que conheci também apoiava e defendia esses grupos minoritários. O problema é que a conduta do Cavaleiro Branco pode, involuntariamente, passar a mensagem de que esses indivíduos são incompetentes e, de quebra, alienar outros homens na organização. (...)”.

Essa é a ideia do homem heterocisnormativo, símbolo do patriarcado organizacional, e lido pelas mulheres e grupos minorizados como padrão e referência. Nessa lógica patriarcal, a promoção da inclusão das diversidades no ambiente corporativo fica condicionada a essa hierarquia social (citada anteriormente). Ao “homem padrão” é oferecido o topo da pirâmide. Porém, enquanto as diversidades continuarem sendo vistas como “os outros”, sem alteridade, não avançaremos.

Abraços Inclusivos!

Lincoln Tavares de Melo

Signatário do Movimento de Solidariedade pela Igualdade de Gênero – He For She – da ONU Mulheres, membro do Coletivo Paternando, do Fórum Paulistano de Masculinidades, da Rede Brasileira de Masculinidades e colaborador do Grupo Mulheres do Brasil – Barueri/SP. Membro da ONG BSGI (Brasil Soka Gakkai Internacional), uma instituição filiada à ONU que atua pela paz, cultura e educação.

Públicado no LinkedIn em 02/05/2022.

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