Fui convidado para palestrar pelo segundo ano consecutivo no evento “Encontro com a Diversidade”, promovido pelas empresas Irani e Habitasul. E para a minha alegria, a proposta era de que eu falasse sobre Diversidade Organizacional da perspectiva das masculinidades.
O evento foi maravilhoso, de altíssimo nível, e contou com a participação ativa do seu Diretor Presidente, Sérgio Ribas, bem como, com a organização das queridíssimas Bianca Salatino e Claudia Vergara. Além disso, a minha parceira de negócios e querida amiga, Daniela Medeiros – que fez a mediação do encontro com maestria – e contou também com as potentes palestras das poderosas Amanda Padilha e Professora Lourdes Alves.
Bem, eu não pretendo falar do evento em si. Aliás, ele foi transmitido via Youtube e contou também com cerca de 130 participantes da companhia que acompanharam a iniciativa espontaneamente. Mas, quero contar um fundo de cena que muito tem a ver com o tema que abordei e venho discorrendo aqui nessa newsletter e é algo que procuro exercitar como práxis o máximo possível: o meu papel como papai da Maria Lídia, nossa filha de seis anos e a parentalidade compartilhada com a minha companheira, Charlene S.T. de Melo e a minha atuação como educador e mentor de Diversidade, Equidade e Inclusão.
Meus clientes e parceiros já estão acostumadas com as “intervenções fofas” da Madí (apelido da nossa filha), que vira e mexe aparece nas transmissões via Zoom ou outras plataformas que têm sido minhas fiéis ferramentas online nos últimos dois anos (já que boa parte do meu trabalho é conduzido de casa). E o mais bacana é que eu também conheço muitos dos filhos, e até mesmo outros integrantes da família (inclusive, cachorros e gatos) destes mesmos clientes e parceiros.
Minha esposa é dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), e tem um horário fixo de trabalho. Daí, toda a dinâmica da nossa casa é ajustada para estas duas realidades: o deslocamento para trabalho da minha esposa e o meu em regime home-office. Mas não posso deixar de compartilhar as atividades da Madí: escola, natação, judô, etc. Pois bem, neste dia do evento, como de costume, nos organizamos para tocar as rotinas da casa da melhor forma possível, o que inclui tomar banho, preparar o nosso café (e ajudar a Madí a se servir), levar a Amora (nossa cachorra) na rua, etc, etc.
Acontece que no dia anterior, à noite, a Madí comentou em tom de tristeza que estava sentindo saudades da mamãe e que gostaria de passar mais tempo com ela. Obviamente minha esposa ficou mexida com o desabafo e procurou, como sempre fazemos, dialogar de maneira aberta e transparente com a nossa pequena. Mas, é mesmo um desafio conciliar a atenção e o afeto com a família, as tarefas domésticas e as atividades profissionais. Não teve jeito, ambas foram dormir um pouco chateadas.
E como disse, como boa parte do meu trabalho é feito de casa, tenho os meus combinados com a nossa filha, que incluem aquela corridinha no intervalo de uma palestra, workshop ou mentoria para saber como ela está, dar um beijinho e um abraço e checar se ela precisa de mais alguma coisa. Aliás, um outro combinado é deixar que ela entre no escritório e venha falar comigo caso precise de algo. E o jeito que ela faz isso é muito bonitinho. Ela entre devagarinho sem bater na porta, se posiciona no meu campo de visão e fica esperando que eu olhe para ela. Daí ela pergunta balbuciando: posso falar papai?
Como de costume, como podem ver na foto a acima, ela veio me perguntar se eu iria demorar muito. Estou acostumado e procuro deixá-la o mais à vontade possível. As vezes ela quer dar um “oizinho”, outras vezes não. Mas o que mais me chamou a atenção neste dia aconteceu depois que o evento acabou. Ou melhor, antes um pouco, na hora do intervalo, fui tomar um cafezinho e checar como ela estava e vi uma carta no braço do sofá. Era da minha esposa para a Madí. Nela ela dizia o quanto amava a nossa filha e que voltaria o mais rápido possível do trabalho para ficar com ela. Dizia também que havia deixado “o leitinho e ovinho na mesa, prontos, para você não se preocupar em chamar o papai”.
O melhor e tudo, além do afeto, do cuidado e do amor que permeia toda essa relação familiar que cultivamos, a Madí me disse quando o evento acabou: “Papai, quando li a carta da mamãe eu fiquei muito emocionada e meus olhos encheram de água!”
O que dizer? Chorei também!
Abraços Inclusivos!Lincoln Tavares
Texto publicado em 26/05/2022.

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